Muito mais que uma profissão: uma missão

O freteiro de leite Pedro Kroth transmitiu aos filhos, André e Eduardo, a paixão e a responsabilidade pela atividade

Kroth Transportar o leite que mais tarde servirá de alimento para várias famílias é uma grande responsabilidade. E esse trabalho é desenvolvido com muita seriedade e ética pelo freteiro de leite da CCGL, Pedro Kroth, há 40 anos na atividade, sendo 9 anos como secretário e 31 anos como proprietário da linha. Para ele, ser freteiro é muito mais que uma profissão, é uma missão.

E a paixão e responsabilidade pela atividade foram transmitidas aos filhos André Luís e Eduardo, que também exercem a mesma atividade, há 16 e 10 anos, respectivamente.

A responsabilidade com a atividade é grande, mas, segundo Pedro, seguindo todas as normas, o serviço é desenvolvido da melhor forma possível, garantindo assim, que um produto de qualidade saia da propriedade e chegue até a indústria dentro das normas e padrões estabelecidos.

A rotina dos Kroth começa cedo. Com dois caminhões transportadores de leite, eles fazem duas linhas. Em um dia, é realizada a linha curta, que inicia às 23 horas e se estende até as 2 horas da manhã do dia seguinte.

E foi nessa rota que a redação do Cooperjornal acompanhou a coleta de leite na noite de 23 de junho, domingo, junto com os freteiros André e Eduardo. O recolhimento é feito em 12 propriedades, que abrangem o interior de Três de Maio, São José do Inhacorá e Alegria. O caminhão que o Cooperjornal acompanhou tem três compartimentos, com capacidade para 10.500 litros de leite.

Ao chegar à propriedade para recolher o leite, o primeiro passo, segundo André, é fazer o pistolamento do leite. “O leite tirado na noite deve ter um padrão de 3°C a 4°C de resfriamento. Então, fazemos o pistolamento, que é o teste com alizarol, a fim de verificar a acidez do leite. Esse é o primeiro teste que realizamos”, explica.

O teste com o alizarol, conforme André, é feito com uma pistola, diariamente, na propriedade. “Se não fizermos o pistolamento do leite e ele estiver ácido, estraga o restante do leite que já está nos compartimentos do caminhão. E somos nós que arcamos com o prejuízo, revela. O freteiro é enfático ao dizer que depois que o leite sai da propriedade, é de responsabilidade do transportador.

Kroth conta que dificilmente o leite das propriedades em que fazem o recolhimento é acido. “Isso ocorre quando falta luz e na propriedade não há gerador próprio. Fora isso, são raras as vezes em que isso acontece.”

Após o pistolamento, é realizada a coleta da amostra do leite, que é levada para análise na Plataforma de Recebimento e Resfriamento de Leite da Comtul, em Tucunduva. Esses procedimentos ocorrem em todas as propriedades em que o leite é recolhido. Depois do recolhimento, André dirige-se até a plataforma em Tucunduva, e aguarda até as 5 horas para efetuar as análises e o posterior descarregamento da carga de leite.

Sobre a atividade, André conta que ganhou gosto tendo como exemplo o pai, Pedro. “Eu trabalhava com meu pai, como auxiliar dele. Daí depois  comecei a dirigir o caminhão e hoje sou freteiro também. Foi influência do meu pai, mas eu também gosto da profissão. É muito bom podermos contar com a confiança do produtor e ele também em nós. É gratificante”, conta.

Já sobre as fraudes envolvendo freteiros de leite da região, André comenta que se ouvia comentários sobre as falcatruas. Eram apenas boatos, que foram se confirmando aos poucos. “Isso acaba denegrindo a imagem de toda uma classe de trabalhadores honestos, que trabalham dentro das normas”, diz.

Fonte: Cooperjornal – Edição n· 849