Sem saída

 

ford

Comprovação de renda, juros altos, instabilidade financeira e econômica são apenas fatores que dificultam o acesso do autônomo a um caminhão novo ou em melhores condições para que ele possa atender as exigências dos transportadores e embarcadores na hora de negociar o frete.

Para se manter competitivo no mercado de fretes o carreteiro deve cumprir alguns requisitos básicos estipulados pelos transportadores e embarcadores. Entre eles se destacam ter um caminhão com idade máxima de 10 anos e aparência e manutenção impecáveis.

Porém, está cada vez mais difícil para o autônomo atender a essa exigência, mesmo com a disponibilidade - em teoria - de modalidades de crédito direcionadas ao seu perfil econômico. A dificuldade para atender a pesada burocracia imposta pelos agentes financeiros e a comprovação de renda (mesmo com a extinção da carta frete) são os principais entraves para leva-lo à desistir da tentativa de um novo veículo e até pensar que os planos existentes são direcionados para os pequenos empresários. Sem saída, o motorista acaba recorrendo aos bancos que liberam o crédito com mais facilidade, a um preço muito mais alto, e acabam assumindo dividas difíceis de serem pagas, devido ao valor desatualizado do frete e ao constante aumento dos custos operacionais.

fordvelho

O fato de algumas empresas fazerem restrição quanto a idade do caminhão e aceitarem modelos produzidos apenas a partir de 2004 impulsiona os motoristas a se arriscarem com esses financiamentos de valores muito altos, afirma Alfredo. "Não concordo muito com esse critério. O meu caminhão, apesar da idade, está com os pneus novos, manutenção em dia e muito melhor do que muitos estacionados aqui. Mas como não tenho dívidas estou levando", comemora. Celso Petry tem 30 anos de idade e ao lado do pai trabalha no transporte de frutas do Sul para São Paulo e retorna com cargas diversas. A família tinha um Mercedes-Benz 1516, fabricado em 1979 e um Ford Cargo 1418, ano 1989. O Mercedes foi trocado por um VW 24.250 ano 2008 para o pai trabalhar, enquanto o Ford Cargo passou para Celso. O veículo comprado foi financiado em 18 prestações de R$ 4.600. "Estamos trabalhando bastante para conseguir pagar, mas tínhamos de fazer isso para atender empresas que exigem veículo mais novo, apesar de o valor do frete não mudar em nada", explica.

Na opinião de Celso, apesar de existirem diversas modalidades de financiamento - e algumas até com juros justos - a burocracia existente é muito difícil de ser atendida pelos autônomos. "As dificuldades de se conseguir um financiamento com juros baixos é tanta que a única saída é o banco e nesse caso arcamos com os altos valores das prestações", desabafa. Celso acrescenta que a situação se torna mais complicada devido ao valor defasado do frete em relação aos custos do óleo diesel, por exemplo, cujo preço aumentou muito nos últimos dois anos. Outro motorista que também teve que arcar com os altos juros dos bancos para adquirir o seu primeiro caminhão, um modelo fabricado em 1988, é Petterson Alexandre Leandro, 30 anos de idade e nove de profissão, de Porto Ferreira/SP. 
Conforme explica, ele trabalhava registrado e fez acerto para sair. O dinheiro recebido serviu para a entrada no veículo e o saldo foi financiado em 36 meses. "Como sabia das dificuldades do Procaminhoneiro, nem perdi meu tempo", conta. Atualmente Petterson trabalha no transporte de areia e argamassa para Goiânia, Brasília e interior de São Paulo.

Mudanças nos juros

Apontados como boas opções para a compra do caminhão, o PSI Finame e o Procaminhoneiro passaram por recentes mudanças que podem refletir no bolso do transportador. No fim do ano passado, o Ministro da Fazenda Guido Mantega, anunciou que a partir de janeiro deste ano as taxas para financiamento de ônibus, caminhões, bens de capital e do Procaminhoneiro passariam de 4% para 6% ao ano. "Como a taxa Selic subiu, a gente teve de acompanhar", comentou o ministro na época. Outra mudança foi a condição de participação máxima do PSI: para as pequenas empresas, a linha de crédito financiará 90% do valor do veículo (antes era 100%) e para as grandes empresas passou de 90% para 80%. (EV)

 

De acordo com o carreteiro, no banco as coisas foram mais rápidas, 15 dias para aprovar o crédito e há dois anos e meio ele assumiu um financiamento com parcelas de R$ 1.766,00. "Estou correndo atrás, faltam oito parcelas e assim que terminar de pagá-las quero me organizar para trocar outra vez. Algumas cargas, principalmente com horário, as empresas só entregam para os caminhões novos com, no máximo, 10 anos.", explica.

 

Boas referências

O diretor operacional do Mira Transportes, Eduardo Cardoso, explica que em relação ao caminhão alguns aspectos são importantes para avaliação como a idade, o estado de conservação e a quilometragem. "Não adianta ter um veículo novo todo deteriorado. Também não pode ser muito velho, pois temos embarcadores que coíbem o carregamento em veículos acima de uma determinada idade", justifica. Quanto ao perfil do carreteiro, Cardoso diz que o procedimento da Mira Transportes é checar de maneira mais efetiva as referências. "O ideal é o motorista ter boas referências e certa experiência.

Fazemos internamente com os nossos instrutores um teste de direção para melhor avaliação".

Dicas para o carreteiro se manter competitivo no mercado:

$1-       Ter o veículo sempre em boas condições mecânicas e cuidando sempre da aparência;

$1-       Ter equipamento de rastreamento ; 


$1-       Ter curso MOPP, Brigada de incêndio, etc .; 


$1-       Documentação aprovada nas seguradoras ; 


$1-       Tentar não ter restrições financeiras pessoal e do veículo; 


$1-       Ter boas referências . 

 

Fonte: www.revistaocarreteiro.com.br