Pequeno, porém, forte

 

Com o novo Cargo, a Ford quer criar uma nova tendência para o mercado de urbanos com maior capacidade de carga

 

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Com o PBT (Peso Bruto Total) de 10 510 kg pelas regras da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o Cargo 1119 é um caminhão médio. Contudo, o modelo é a nova aposta da Ford para concorrer com os leves.

A justificativa, segundo Flavio Costa, da engenharia de marketing da Ford Caminhões, é simples, o Cargo 1119 foi desenvolvido com o objetivo de atender e suprir uma demanda do mercado por veículos capazes de carregar maior densidade dentro da distribuição urbana.

Com relação ao seu PBT superior, o executivo explica que o Cargo 1119 possui atributos de um caminhão leve, mesmo com o PBT da categoria de médio. “A ideia é ter maior aproveitamento do produto, sem perder as características. São 7.164kg de carga útil”, comenta Flavio Costa.

“É uma evolução natural do segmento. Se voltarmos ao passado, essa era uma categoria de caminhões com 7 t de PBT em média, e com o tempo foi evoluindo para 8 t, 9 t e, num período de três anos, os concorrentes lançaram modelos com quase 10 t de PBT. A Ford viu como oportunidade lançar esse modelo de 10,5 t, porém, com as mesmas características de um caminhão leve, com a plataforma de carga mais baixa e  cabine menor”, conclui o engenheiro.

O Cargo 1119 chegou para completar a linha de caminhões leves da Ford, hoje formada por ele e pelo Cargo 816. Nos próximos meses, a Ford projeta lançar a F-4000 para completar a gama, neste caso, no segmento de semileves.

O 1119 é destinado a aplicações urbanas e interurbanas de curtas distâncias, sendo indicado para uso com baú isotérmico, baú frigorífico, carga seca, guincho, plataforma e bebidas, por exemplo. Por ser um caminhão de dimensões compactas, além da vantagem de ter 700 kg a mais de capacidade de carga, ele pode entrar com mercadorias em ruas estreitas, comuns nas grandes capitais, tornando-se uma opção bastante competitiva, se levar em conta as inúmeras atividades em que ele pode ser aplicado.

O Novo Cargo é ofertado em uma única configuração 4x2, mas a engenharia da Ford não descarta a possibilidade de desenvolver, esse modelo configurado 6x2, com 3° eixo de fábrica, já que conta com o Mod Center, seu próprio centro de modificações de caminhões do Brasil, instalado na própria fábrica.

Mecânica eficiente

O caminhão 1119 tem como predicado o motor Cummins ISB 4.5, de 4 cilindros em linha, com potencia de 189 cv a 2 300 rpm e torque de 61,2 mkgf, de 1100 a 2100 rpm. Em épocas de economia, essa ampliada faixa de torque permite que o motorista possa permanecer na faixa verde, mesmo em uma situação de pista mais íngreme, com o caminhão carregado – o que resulta num consumo amigável.

Par atender a norma de redução de emissão de poluentes, a Proconve P7, equivalente à Euro 5, a Ford optou por utilizar a tecnologia SCR (Redução Catalítica Seletiva) de pós-tratamento dos gases de escape, com o uso do Arla 32.

Esse motor trabalha em conjunto com a caixa Eaton FSO – 4505, mecânica, de 5 velocidades. Trata-se de uma caixa robusta, cujas trocas são macias, como as de um carro de passeio – ideal para veículos com perfil da aplicação como a do Cargo 1119.

Entre outros detalhes técnicos que fazem a diferença no Cargo 1119 em relação aos concorrentes estão sistema de suspensão com eixo rígido de aço forjado, com barra estabilizadora e feixe de molas parabólicas na parte dianteira, e semielíptica na traseira. O chassi possui as mesmas longarinas da linha de caminhões médios da marca, o que se traduz em mais esforço. Dispõe de duas opções de entre-eixos: 3 900mm e 4 300 mm.

Todos a bordo

A linha Ford Cargo costuma ser espartana, porém robusta. Só que nesse novo Cargo, a Ford surpreendeu, pois o veículo conta com alguns agrados que, mesmo opcionais, já fazem a diferença no dia a dia das cidades, como o ar condicionado, por exemplo.

Novidade para o novo cluster do painel, muito mais moderno e mais iluminado. O painel, confeccionado em um plástico mais rígido para ser mais durável é de fácil limpeza. Ponto positivo para o interior da cabine. Por se tratar de um veículo adequado para operações urbanas, cujo motorista normalmente trabalha com acompanhante, o espaço é adequado.

A postura de condução é agradável e a alavanca do câmbio está ao alcance das mãos. A visibilidade é muito boa graças à ampla área envidraçada e à posição dos retrovisores.

cabine
Interior da cabine com um ambiente de trabalho
agradável ao motorista e passageiros.

painel
O quadro de instrumentos tem um layout moderno, 
utilizando iluminação Ice Blue que facilita a leitura
para o motorista à noite.

Fonte: Revista Transporte Mundial - Julho/2014