Rapidez na comunicação com empresas, amigos e familiares, além de ajudar na negociação de fretes e auxílio nas rotas, entre outras funções, tornaram o telefone celular uma ferramenta de trabalho e lazer indispensável para os carreteiros. Por outro lado, especialistas alertam sobre o perigo de dirigir usando o aparelho.

celular

Há muito tempo o telefone celular deixou de ser um aparelho útil apenas para fazer e receber chamadas. Atualmente, os diversos aplicativos e facilidades disponibilizadas nos smartphones permitem aos usuários enviarem mensagens instantâneas, acessar e-mails e internet, atualizar redes sociais, traçar rotas, pagar contas, tirar fotos, gravar vídeos, entre outras funções.

Porém, além das vantagens, aumentaram também a incidência de motoristas de caminhão operando o aparelho ao mesmo tempo em que dirige, prática arriscada e propícia à ocorrência de acidentes.

No caso específico do motorista de caminhão – profissional que até há pouco tempo utilizava com maior frequência o rádio PX nas suas comunicações na estrada -, a telefonia móvel tornou-se uma importante ferramenta de trabalho. Os benefícios oferecidos pela tecnologia da comunicação levou os carreteiros a se renderem às vantagens, como negociar fretes, se comunicar com empresas de transporte, família e trocar informações com colegas, entre outras funções.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), artigo 252, inciso VI, a multa para quem dirige falando no celular, ou com fones de ouvido conectados à ele, é de R$ 85,13, mais quatro pontos na carteira de habilitação. Isso porque a prática de falar e dirigir causa falta de atenção e aumentam as chances de acidentes. Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que durante os anos de 2012 e 2013, foram registrados, respectivamente 2.736 e 3.029 acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais dentro do Estado de São Paulo.

Conforme informação da assessoria de comunicação do órgão, os dados levam em conta as causas de infrações mais comuns, quando associadas ao uso das novas tecnologias. A lista inclui falta de atenção, desobediência à sinalização, desrespeito à distância de segurança com o veículo que segue na frente e a consequente velocidade incompatível com o local.

Segundo a PRF, uma das desculpas utilizadas pelos motoristas para o uso do aparelho no momento da direção é a utilização de aplicativos GPS para traçar rotas e facilitar a chegada ao destino. Este é um aplicativo bastante utilizado pelo gaúcho de Santana do Livramento, Amauri da Silva, 25 anos de idade e há dois na profissão. Empregado, ele roda por Estados brasileiros e opera também na rota internacional viajando para a Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai). “Procuro não me distrair com essas coisas, uso apenas quando estou parado. O celular dentro da cabine é apenas em caso de extrema importância, assuntos rápidos e para ajudar com as rotas desconhecidas durante o caminho. É como se fosse um chapa”, brinca.

Silva afirma que não tem o hábito de utilizar o aparelho para fazer ligações ou enviar mensagem enquanto está dirigindo e diz que deixa o aparelho no painel do caminhão para, em caso de emergência, apenas esticar e atender. Conectado às redes sociais, Amauri utiliza aplicativos como o WhatsApp e acessa com frequência a Internet.

Se por um lado os motoristas têm inúmeras justificativas para utilizar o celular durante as viagens, por outro, especialistas em medicina de tráfego e transporte apresentam diversas consequências perigosas que a prática de falar e dirigir ao mesmo tempo podem provocar. O diretor de comunicação e do departamento de medicina de tráfego ocupacional, Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, explica que o indivíduo que está dirigindo precisa de atenção, concentração, audição, visão, respostas motoras rápidas, sensibilidade tátil, vigília entre outros.

 

Dirceu

“Quando toca o celular, o motorista é surpreendido, o que gera uma expectativa para saber quem é, o que quer. No caso do carreteiro, há ainda a preocupação de ser uma empresa oferecendo frete. Assim, ele perde o foco e todas as funções necessárias para uma condução segura passando a operar de maneira automática. Depois que ele desliga o celular não consegue se lembrar qual veículo passou do lado, quem ultrapassou etc”, afirma.

O especialista ressalta que muitos motoristas dizem acionar o viva-voz para poderem falar sem causar riscos à segurança, porém, é um erro. “O tempo de resposta que o motorista precisa na direção é de 0,75 segundos. Quando ele atende um celular esse tempo aumenta para 1,30 a 1,70 segundos. Se estiver a 100km por hora e leva em media de 3 a 4 segundo para pegar e acionar o celular, o veículo percorreu entre 100 e 120 metros sem atenção e visão frontal e lateral. Esse movimento pode levar à colisão ou sair da pista”, alerta.

Já o Professor Creso de Franco Peixoto, da FEI – Fundação Educacional Educacional – e mestre em Transportes pela EESC USP, explica que o motorista precisa estar sempre atento às imagens à sua frente e no entorno do veículo, para que seus reflexos tenham retorno de máxima eficácia. A imagem observada pelo motorista é repassada para o cérebro como um filme rápido ou foto. As cores e imagens geram reações esperadas e evitam movimentos de maior risco ou acidentes, explica.

“O motorista precisa estar concentrado no ato de dirigir, evitando ocupar setores do cérebro que podem gerar confusão de interpretação a até de desconsideração de estímulos que poderiam ser fundamentais para reações em tempo que se mede em poucos segundos. O diálogo com outros ocupantes do veículo já caracteriza fator de redução de atenção”, acrescenta. Ainda de acordo com Professor Creso, os motoristas que já se acostumaram a usar o celular ao volante , quer seja por que ainda não levaram multas ou que nunca tenham sofrido acidentes em função de seu uso, aproximam-se cada vez mais de um acidente, que pode ser grave ou fatal.

Fonte: www.revistaocarreteiro.com.br

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