O caminhão traçado da Ford agrada os empresários porque não quebra à toa e é desenvolto tanto no asfalto como nas mais difíceis condições de pavimento

 

Basculante 0146 Vamos começar este teste com a opinião de quem usa o Ford Cargo 2629: “Se todos os caminhões da frota fossem como ele, nao haveria motivo para parar a obra em dia de chuva, pois esse veículo é bravo e suporta bem os impactos.” Essa foi a resposta de José Vicente, encarregado de obras da Construtora Anastácio, quando indagado a opinar sobre o fora de estrada Ford Cargo 2629 6x4.

Especializada em terraplenagem, conservação e limpeza de córregos, galerias e piscinões, a Construtora Anastácio tem 90% de sua frota formada por modelos vocacionais da Ford tanto trucado (6x2) como traçados (6x4). No entanto, o Cargo 2629 6x4 é considerado o mais destemido para as operações, sobretudo, as de limpeza de piscinões. Compartilham da mesma opinião Hidalgo Vicente Santos, dono da construtora, e Josias da Silveira, que conduz o modelo avaliado nessa reportagem.

Segundo o empresário, a escolha pelo caminhão traçado se deu também pelo preço de aquisição, bastante convidativo, e a compra, a cada renovação, é volumosa. “Pensamos também na resistência e no custo de manutenção mais baixo em relação aos concorrentes”, acrescentou.

Para Josias, que está no dia a dia com o 2629 6x4, essa característica bruta faz a diferença. O Cargo 2629 é um caminhão inteiramente vocacional, tanto que possui versões para atender a construção civil, algumas utilizadas exclusivamente com betoneiras. Por essa razão, ele é dotado de uma mecânica simples, mas robusta. E justamente por isso a Ford conquistou a confiança como fabricante de veículos vocacionais. A montadora possui uma lista extensa de caminhões para atender essa categoria.

Motor Cummins ISB 6.7

O 2629 é uma evolução do Cargo 2628 que foi produzido até o final de 2011, mas que, por força da norma P7 de emissões de poluentes, a Ford teve de renovar o motor e aproveitou para introduzir melhorias ao veículo. Começando pelo propulsor. Para atender a lei, a fabricante optou pelo motor de 6 cilindros em linha da Cummins, o ISB 6.7 que possui potência de 290 cv a 2300 rpm e torque de 96,9 mkgf de 1 200 rpm a 2 100 rpm com tecnologia SCR em que há a necessidade do Arla 32, cujo objetivo é reduzir a emissão de óxido de nitrogênio dos gases de exaustão por meio de uma reação química. Uma das características principais dessa motorização é o alto torque em baixa rotação , que além de força e ampla faixa de trabalho, rendeu em uma economia de 8% a 10% maior no consumo de combustível, se comparado ao seu antecessor.

A transmissão é a Eaton FTS 16108 LL, mecânica de 10 velocidades e 3 a rés. Seu sistema de acionamento se dá por meio de cabos que contribuem para tornar os engates mais leves, suaves e precisos, garantindo uma operaçãoo mais silenciosa. Com duas opções de entre-eixos: 3 440 mm e 4 580 mm e disponibilidade de tomada de força dianteira e traseira (para versões utilizadas à construção civil), o modelo pode receber uma variedade de implementos.

Ele é equipado de fábrica com grade de proteção no radiador e catalisador instalado do lado externo do chassi para facilitar a implementação.

Em prova

A equipe da Transporte Mundial foi acompanhar um dia de trabalho desse brutão na limpeza do piscinão do Aricanduva, na região leste da capital paulista. Vale ressaltar que havia chovido praticamente toda a madrugada anterior, o que dificultou o trabalho de outros caminhões na obra, menos do Ford Cargo traçado. Sua função é fazer a remoção do lixo retirado do piscinão e transportá-lo para o aterro sanitário em Garulhos, região metropolitana de São Paulo, localizado aproximadamente a 35 km do piscinão. A viagem é realizada de 4 a 5 vezes ao dia, com o caminhão transportando na báscula em torno de 14 t de entulho, terra e lixo.

Essa logística totaliza uma média de 300 km percorridos diariamente no trecho urbano, mais um trecho off-road que, somados, dá um pouco mais de 5 km. No aterro, a situação do piso para descarregar também não é diferente.

Segundo o motorista Silveira, no trecho off-road da operação, o Cargo demanda mais do motor que tem que ter força para atravessar os trechos lamacentos e acidentados, porém, passa macio e desenvolto. Isso se deve ao desenho do chassis que possui rigidez longitudinal para ajudar na boa performance em terrenos acidentados.

Na rodovia, a dificuldade é o trafego intenso, em que o caminhão não ultrapassa a velocidade de 50 km/h, quando não está no habitual anda e para. Contudo, o Cargo consegue fazer uma média de 2,8km/l, a qual para o executivo da Construtora Anastácio, está muito boa.

Conclusão do teste por Andrea Ramos, editora-executiva da Revista Transporte Mundial

"Não é fácil manter-se competitivo em um mercado tão disputado como o de caminhões obreiros, e a Ford tem a seu favor a boa fama do conjunto motriz e a simplicidade e robustez da cabine que agrada o empresário. Outro ponto positivo é que o caminhão quase não tem parada, mesmonas operações mais pesadas. E isso contribui positivamente nos custos operacionais da empresa. O 2629 6x4 é uma boa solução de baixo custo.

Fonte: Revista Transporte Mundial - Ed. 138

 

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